6 motivos para você desconfiar do limite de tolerância

6 motivos para você desconfiar do limite de tolerância

Parte da gestão de muitos Profissionais de Segurança do Trabalho está relacionada com o objetivo de manter os riscos ambientais abaixo do limite de tolerância para não ter dentre as atividades de sua empresa postos insalubres. No entanto neste post vamos apresentar 6 motivos para você não confiar no tal Limite de Tolerância e perceber que sua gestão não pode ser baseada apenas nestes valores.

Valores desatualizados

O primeiro motivo talvez seja o mais conhecido e vergonhoso. Parte dos valores da legislação brasileira são totalmente furados. Vejamos por exemplo um dos valores mais críticos: o limite do produto 1,3 Butadieno. Na NR 15 temos como limite de tolerância o valor de 780ppm, mas se pegarmos este mesmo agente na ACGIH (norma americana anualmente atualizada) teremos o limite de 2 ppm e, pior, de acordo com esta norma este agente é carcinogênico. Mesmo fazendo a correção do limite pela carga horária, pois eles trabalham 40 horas semanais e nós trabalhamos 44 horas, o erro é maior que 300 vezes.

Estudos incompletos

Qualquer produto pode ser prejudicial a vários órgãos do corpo humano. No entanto, por uma questão financeira não temos, mesmo fora do Brasil, estudos de cada produto químico em relação a todas as consequências possíveis, ou seja, você pode estar exposto a um agente que pode até ser prejudicial, mas ainda não temos estudos para afirmar isto.

Susceptibilidade Individual

Você com certeza conhece pessoas que têm alergias. Pois bem, se tem gente que é alérgica até a comida, imagine a produtos químicos. Quando se estabelece um limite de tolerância este limite é para a maioria, mas uma boa parte da população não está contemplada. Com isso, mesmo que o trabalhador esteja trabalhando em condições consideradas seguras, pode estar adoecendo.

Obtenção de forma indireta

Como você acha que são realizados os estudos para definir estes limites? Será que eles colocam trabalhadores em uma sala, jogam o produto químico e esperam para ver as consequências? É claro que não. Quando o estudo é feito com pessoas a concentração é bem inferior ao limite e boa parte dos estudos são realizados com animais e por meio de toda a estatística se chega no valor de quanto seria prejudicial para o ser humano. Mas acho que deve ser óbvio que este procedimento pode gerar alguns erros, tanto que periodicamente alguns limites de órgãos internacionais são alterados.

Vazão respiratória

Quando realizamos uma atividade mais leve inalamos uma certa quantidade de ar, porém em uma atividade mais pesada este valor será bem superior e a quantidade de produto químico inalado também será.

Quando se estabelece o limite de tolerância é considerado, uma vazão média a qual pode estar totalmente errada dependendo do tipo de serviço realizado pelo trabalhador.

Combinação dos Agentes

Será que parte dos trabalhadores não acabam expostos a mais de um agente na mesma atividade e talvez esta combinação de agentes não pode potencializar as consequências para o organismo? Pois bem, até temos mecanismos para considerar esta combinação, porém quando utilizamos apenas o valor do limite de tolerância isto está considerado.

Falha na estratégia de amostragem

Qual o critério para o número de amostras a serem coletadas em relação a determinado agente na sua empresa? Na grande maioria das empresas o principal critério é o custo, com isso é comum realizarmos apenas uma ou duas amostras e considerar este valor como verdade para todos os períodos do ano e para toda a nossa gestão. Como consequência, em função da variação do processo, este valor nunca será totalmente exato.

Acho que deve ter ficado claro que o limite de tolerância deve ser utilizado apenas como uma referência e por isso a nossa legislação, indica na NR 09, que devemos começar a pensar em Segurança do Trabalho a partir do nível da ação, ou seja, a partir da metade do limite de tolerância.

Gostou do meu post? Comente abaixo para que possamos conversar mais sobre o tema, isso será importante para o nosso Mercado de trabalho!

Até breve!
Prof. Msc Mário Sobral Jr

 

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Comentários

8 respostas

  1. Muito bom o artigo! Já tinha ouvido falar sobre a desatualização dos valores determinados, mas os demais motivos apresentados também são muito sérios.

  2. Parabéns pelo artigo, infelizmente informações como essa não são levadas em consideração por muitas empresas uma vez que se houver essa reparação eles terão mais gastos (como eles costumam chamar)e a saúde de quem esta exposto a essas condições insalubres não significa nada.

    1. Caro Rodrigo Talles, boa tarde!
      Sua insatisfação vem corroborar com nossa opinião! Infelizmente muitos empresários não entendem que “as pessoas” é que são “a empresa”.
      Muito obrigado por sua contribuição!
      Fique conosco.
      Abs

  3. Gostei muito do artigo 5 olhares sobre o PCMAT.
    Sempre é bom termos mais de uma opinião sobre o mesmo assunto.
    Parabéns

    1. Olá Aldo, bom dia!
      Muito obrigado por sua contribuição! Como você, acreditamos que vários pontos de vista, são bons para o nosso querido Mercado de EPIs.
      Por favor, contribua sempre que possível e fique conosco!
      Abs,

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