Movimentar milhões em estoque não é sinônimo de lucro!

No mercado de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), muitas revendas caem na armadilha do volume: vencem licitações enormes e giram mercadoria rapidamente, mas fecham o mês com o caixa perigosamente apertado.

O problema, na maioria das vezes, não é a falta de vendas, mas a ausência de uma estratégia financeira clara. Se a sua gestão se resume a olhar o preço do concorrente e tentar cobrir a oferta, você não está gerindo um negócio; está participando de uma corrida para o fundo do poço.

Política de preços é o conjunto estratégico de regras, critérios e limites que uma empresa define para formar, ajustar e conceder preços de venda, garantindo a margem de contribuição e a competitividade necessária para fechar negócios sem depender do desconto como única ferramenta de negociação.

Se você está na fase inicial do negócio, estruturando sua operação agora, recomendamos que leia também nosso guia completo sobre como abrir uma loja de EPI, onde a precificação aparece como um dos pilares do planejamento.

Mas, se a sua loja já roda e o dinheiro não sobra, este guia foi feito para estancar esse sangramento financeiro.

O erro da precificação: markup vs. margem de lucro

Antes de falarmos de estratégia, precisamos corrigir um erro matemático que quebra revendas silenciosamente: a confusão entre markup e margem.

Muitos gestores aplicam um índice sobre o custo (markup) e acreditam que aquele percentual é o seu lucro real (margem).

  • Markup: é o índice que você adiciona ao custo para chegar ao preço de venda.
  • Margem: é o percentual que sobra da venda depois de pagar os custos.

Exemplo prático:

Se você compra uma luva de raspa por R$ 5,00 e aplica um markup de 50%, seu preço de venda será R$ 7,50.

Você tem 50% de lucro? Não.

Seu lucro bruto é de R$ 2,50. Sobre a venda de R$ 7,50, isso representa uma margem bruta de 33%.

Se a sua operação (impostos, comissões, custos fixos) consome 35% da receita, ao aplicar um markup de 50% achando que está lucrando muito, você está, na verdade, pagando para trabalhar. Entender essa diferença é o primeiro passo para uma precificação profissional.

A matemática do desconto e do volume

O sintoma mais claro de uma política de preços fraca é o desconto fácil. O vendedor pede, o gerente libera e o sócio aceita para “não perder a venda”.

O que ninguém calcula na hora da emoção é o esforço operacional necessário para recuperar o lucro perdido. A tabela abaixo apresenta uma simulação de quanto você precisa aumentar seu volume de vendas para manter o mesmo lucro em reais ao conceder descontos.

Para este cálculo, utilizamos um cenário hipotético com margem inicial de 30%. Vale lembrar que, na prática do mercado brasileiro, as margens variam significativamente: de 15% a 25% para commodities de alto giro e chegando a 30% ou 50% para itens técnicos exclusivos.

Margem atual (Simulação)Desconto concedidoAumento de volume necessário
30%5%+ 20%
30%10%+ 50%
30%15%+ 100% (Dobrar as vendas)

Analise com frieza: se você dá 10% de desconto “para agradar o cliente”, você precisa vender 50% a mais de unidades (o que implica em mais estoque, mais logística e mais notas fiscais) apenas para empatar o lucro que teria sem o desconto.

Desconto não é estratégia de fidelização; é uma ferramenta financeira que deve ser usada com extrema cautela e cálculo.

Custos invisíveis: onde a margem escorre pelo ralo

Muitas revendas calculam o preço baseadas apenas no custo da mercadoria e impostos diretos. O erro está em ignorar os custos operacionais que não aparecem na nota fiscal do fornecedor de imediato.

No varejo brasileiro, estima-se que custos operacionais fixos possam consumir uma fatia relevante da receita bruta, variando conforme a eficiência da gestão. Energia elétrica, aluguel do galpão, logística de entrega e estrutura administrativa representam centavos por luva que, quando multiplicados por milhares de peças vendidas no mês, viram um montante capaz de destruir sua margem líquida se não estiverem diluídos na precificação.

Ao definir sua política, é crucial entender que a eficiência energética da sua loja e a organização logística impactam diretamente o preço final. Se o seu custo fixo é alto demais, ele come sua competitividade antes mesmo de você precificar o produto.

Táticas de guerra: engenharia de preços e psicologia

Para fugir da comparação direta de preços – onde o cliente digita o nome do produto no Google e compra o mais barato –, você precisa aplicar táticas inteligentes de engenharia de preços.

A estratégia de bundling (venda de kits)

Em vez de vender apenas a “luva de raspa” (item comparável), crie o “Kit soldador protegido” (luva + avental + perneira).

Ao precificar o kit, você dificulta a comparação item a item. O cliente percebe uma solução completa, e você consegue proteger a margem média do pacote, muitas vezes cobrando um valor justo pela conveniência da compra única.

Tática defensiva: preço firme no alto giro

Identifique os produtos de alto giro (aqueles que saem todo dia). Esses itens não devem ser usados como moeda de troca desenfreada. Estabeleça uma regra de “preço firme” para itens de combate, pois a margem neles já costuma ser apertada. Deixe a flexibilidade de negociação para itens de menor saída ou para vendas de mix completo.

Ancoragem de preços

Sempre tenha um produto premium em destaque na prateleira ou no catálogo. Mesmo que a venda dele seja menor, a presença de uma luva de alta performance, por exemplo, serve para ancorar o preço da luva intermediária, fazendo-a parecer mais acessível. O cérebro do cliente usa o preço mais alto como referência de qualidade.

Construindo sua política de preços (regras do jogo)

Para que a precificação funcione sem você precisar aprovar cada pedido manualmente, é necessário estabelecer regras claras.

Definição de alçadas de desconto

O desconto não pode ser livre. Crie barreiras hierárquicas:

  • Vendedor: tem autonomia de até 3% (apenas para pagamentos à vista).
  • Gerente: pode liberar até 7%.
  • Sócio/proprietário: apenas acima de 7% e com justificativa estratégica.

Se o vendedor pede desconto antes mesmo do cliente reclamar do preço, o problema é de gestão e treinamento, não de mercado.

Preço mínimo sustentável

Defina o “piso” da sua operação. O preço mínimo sustentável é o valor abaixo do qual a venda gera prejuízo técnico ou operacional. Abaixo dessa linha, a venda não deve ocorrer, pois destrói valor da empresa. É preferível perder o pedido do que pagar para vender.

O fator qualidade na precificação

Como cobrar mais caro que o concorrente que vende EPI importado de baixa qualidade? A resposta está no TCO (Custo Total de Propriedade).

Sua equipe deve ser treinada para vender a redução de problemas e a segurança jurídica, não apenas o produto. EPI de baixa qualidade gera:

  • Devoluções constantes.
  • Reclamações do técnico de segurança.
  • Riscos jurídicos por falta de conformidade.

Ao trabalhar com marcas como a Zanel, que utilizam matéria-prima de primeira linha, possuem controle rigoroso de espessura e costura, e mantêm os Certificados de Aprovação (CA) válidos e regularizados, você blinda sua precificação.

O argumento de venda muda: “Compreendo, Fulano, mas observe: esta luva tem durabilidade superior e CA garantido. O custo inicial é um pouco maior, mas você vai reduzir as trocas constantes e, o principal: elimina a dor de cabeça com o SST e o risco jurídico. No final das contas, ela custa menos para a sua empresa.”

Quem vende qualidade e conformidade protege a margem; quem vende apenas preço, vira refém do mercado.

Perguntas frequentes sobre política de preços

Dominar a arte de precificar exige clareza sobre conceitos que muitas vezes se confundem no dia a dia da operação. Para ajudar você a tomar decisões mais rápidas e assertivas, selecionamos e respondemos as principais dúvidas de donos de revendas sobre o tema.

Como definir a margem de lucro ideal para revenda de EPI?

Não existe um número único, pois depende do mix. Produtos de alto giro tendem a ter margens menores (15-25%) devido à alta concorrência. Já produtos técnicos ou exclusivos permitem margens superiores (30-50%). A margem ideal é aquela que, na média ponderada, cobre seus custos fixos e gera o lucro esperado pelos sócios.

Quais são as 3 principais formas de precificação?

As três metodologias clássicas são:

  1. Baseada em custos: soma-se o custo do produto + custos fixos + margem desejada. É a mais segura, mas ignora o mercado.
  2. Baseada na concorrência: o preço é definido pela média do mercado. É arriscada se seus custos forem maiores que os do “vizinho”.
  3. Baseada em valor: o preço é definido pelo quanto o cliente está disposto a pagar pela solução/benefício. É a que gera maiores lucros.

Qual a diferença entre preço e valor?

Preço é a quantia monetária que o cliente paga. Valor é o benefício percebido que ele leva. Uma revenda que realiza entrega rápida, oferece consultoria técnica e produtos que não dão defeito entrega alto valor, o que justifica um preço superior ao da concorrência.

Conclusão

Se tivéssemos que resumir toda essa estratégia em uma única lição, seria: pare de perseguir o volume a qualquer custo e comece a perseguir o lucro real.

Sabemos que reestruturar uma política de preços dá um frio na barriga. É tentador ceder ao desconto quando o cliente pressiona ou quando o concorrente abaixa o preço, mas agora você tem a matemática e os argumentos técnicos ao seu lado para dizer “não” quando necessário.

Você aprendeu a teoria para blindar sua margem. Agora, precisa blindá-la na prática, com produtos que sustentem esse posicionamento de valor e não dêem munição para o cliente reclamar.

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Aguardo você!

Grande abraço.